A Procissão de Nossa Senhora de Fátima, Macau
O culto de Nossa Senhora de Fátima em Macau antecedeu a permissão oficial do culto - que só ocorreu em 1930 com a Carta Pastoral “A Divina Providência” do Bispo de Leiria D. José Alves Correia da Silva.
A primeira procissão realizou-se no dia 13 de Maio de 1929, a partir da igreja de São Domingos, tendo sido a imagem enviada de Portugal. Foi promovida pelo ilustre Padre Manuel Joaquim Pintado (1921-1995), com Missa solene presidida pelo Bispo D. José da Costa Nunes (1880-1976). A procissão fez o trajecto entre a Sé, o Largo do Senado e a igreja de São Domingos.
O êxito desta primeira procissão originou a criação de uma entidade para assegurar a sua continuidade. A Congregação de Nossa Senhora de Fátima, promovida pelo Padre António Roliz (1873-1933), foi fundada em Dezembro desse ano (1929) e, a partir de então, encarregou-se da organização dos festejos marianos.
Em 1930, as cerimónias realizaram-se com grande solenidade, com procissão a terminar na Ermida da Penha, percurso que se mantém até à actualidade. Foi uma procissão muito concorrida e piedosa, com grande participação de todas as comunidades macaenses.
Durante a Segunda Guerra Mundial, a procissão manteve-se e de alguma forma avivada pela situação particular de Macau, com população acrescida de milhares de refugiados.
A partir de 1978, a liturgia começou a ser celebrada em português e cantonês para que toda a comunidade macaense tivesse ensejo de rezar na sua própria língua.
Os missionários de Macau introduziram esta devoção nas Missões de Shiu-Hing (China), Malaca, Singapura e Timor. E das Missões portuguesas irradiou para as estrangeiras, estendendo-se por todas as terras do Extremo-Oriente.
A Procissão
A procissão parte da igreja de São Domingos e termina na Ermida da Penha. É geralmente presidida pelo Bispo de Macau, com participação de grande parte do clero e das instituições religiosas da cidade e acompanhada por milhares de pessoas.
O trajecto integra três crianças locais, trajadas à maneira tradicional portuguesa, em representação dos Pastorinhos de Fátima, e um grupo de meninas vestidas de branco da Congregação de Nossa Senhora de Fátima. É acompanhada pela recitação trilingue do Rosário, hinos e cânticos à Virgem Maria ao longo do compassado trajecto.
A Procissão teve sempre grande impacto na cidade, sendo uma das celebrações religiosas mais expressivas da Cidade do Nome de Deus de Macau.
Está actualmente inscrita na Lista do Património Cultural Intangível de Macau.
A Capela de Macau no Santuário de Fátima em Leiria
Na Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima (Leiria), existe uma capela instituída em 1950 pelos residentes macaenses, em acção de graças pela protecção de Nossa Senhora àquela terra durante a Guerra do Pacífico, segundo a inscrição:
"Contribuíram para esta Capela os católicos de Macau, reconhecidos à Senhora de Fátima e a Portugal na II Grande Guerra".
REFERÊNCIAS
- RANGEL, Jorge, Fátima e Macau – A propósito do Centenário das Aparições, Jornal Tribuna de Macau, 15 de Maio de 2017.https://jtm.com.mo/opiniao/fatima-macau-proposito-do-centenario-das-aparicoes/
- https://cronicasmacaenses.com/2012/02/05/procissao-de-n-s-de-fatima-tradicao-em-macau/
FOTOGRAFIA
Adelina Castelo
Adicionar comentário
Comentários