O Padrão dos Descobridores em Anambó, S. Tomé e Príncipe


Em 1468, o mercador Fernão Gomes negociou com a Coroa portuguesa o arrendamento do comércio da Guiné, com a condição de todos os anos descobrir cem léguas da costa. Terá sido no cumprimento desta obrigação que o comerciante enviou, na primeira expedição à Costa da Guiné, os navegadores João de Santarém e Pero Escobar que, segundo a versão mais usual, vieram a descobrir a ilha de São Tomé e que provavelmente estão na origem do seu nome.

Em 21 de Dezembro de 1470, dia da festividade de São Tomé, as caravelas portuguesas atracavam na região depois conhecida por Anambó, na costa Noroeste da ilha de São Tomé. Esta estava desabitada e o seu achamento, seguido de outras ilhas equatoriais – Ano Bom e Príncipe –, marcou uma viragem na história do Golfo da Guiné.

A ilha voltou a ser frequentada nos anos seguintes apenas algumas vezes, devido às dificuldades internas na metrópole e, possivelmente, também pelas notícias sobre o seu difícil clima.

Na década de 80 (século XV), a coroa portuguesa ordenou a sua ocupação. Foi concedida a capitania de metade da ilha a João de Paiva em 1485 por D. João II – a outra metade foi doada a Mécia de Paiva, sua filha -, com amplos privilégios, cerca de quinze anos após a sua descoberta.

Nesse ano (1485) desembarcaram os primeiros colonos em Anambó, com o primeiro capitão donatário João de Paiva, onde fundaram a primeira povoação. O local veio a revelar-se prejudicial a estes primeiros povoadores, pelas doenças – provavelmente fatais - provocadas pelo clima e pela difícil topografia do terreno para o cultivo. Com Álvaro de Caminha (1493-1499), o terceiro donatário, a povoação transferiu-se em 1493 para uma das amplas baias do Nordeste – a baía de Ana de Chaves.

A primitiva povoação deu origem a uma das paróquias mais antigas da ilha de São Tomé – Nossa Senhora das Neves - já referida em 1696 como freguesia rural.

 

Os padrões portugueses

Os históricos padrões lusitanos começaram a ser colocados nas regiões por onde passavam os navegadores, à medida da sua descoberta. O padrão era constituído por uma grande coluna de pedra, encimada pela Cruz, tendo gravadas as Armas de Portugal e inscrições relativas à respectiva descoberta.

O padrão português constitui ainda hoje um dos símbolos mais expressivos da época dos descobrimentos.

 

O Padrão de Anambó

Não há notícia de levantamento de um padrão na ilha de São Tomé quando esta foi descoberta – o primeiro padrão conhecido foi colocado em 1483 por Diogo Cão na foz do Rio Zaire, actual Angola.

As comemorações relativas à História e Expansão Marítima portuguesa, entre 1940 e 1960, tiveram uma grande repercussão nestas regiões. Em São Tomé, deu-se particular importância a locais históricos, eventualmente ainda não suficientemente valorizados.

Em 23 de Agosto de 1940, foi inaugurado o Padrão dos Descobridores em Anambó, no contexto das Comemorações do Duplo Centenário da Fundação e Restauração de Portugal, em São Tomé e Príncipe. Trata-se de uma réplica dos padrões lusitanos quinhentistas, enfatizando a descoberta da ilha nos primórdios da exploração da África equatorial.

Anambó, com o Padrão dos Descobridores e a exuberante área envolvente, é actualmente considerada um dos valiosos lugares históricos da ilha de São Tomé, ponto de referência do início do seu povoamento, local do primeiro contacto dos descobridores europeus com as prodigiosas ilhas equatoriais.

 

REFERÊNCIAS

  • SEIBERT, Gerhard, A Questão da Origem dos Angolares de São Tomé, Instituto Superior de Economia e Gestão, Lisboa, CEsA Brief Papers nº5/98, 1998.
  • JOÃO, Maria Isabel, Memória e Império - Comemorações em Portugal (1880-1960), Dissertação de Doutoramento em História, Lisboa, Universidade Aberta, 1999.
  • HENRIQUES, Isabel Castro, São Tomé e Príncipe - A Invenção de uma Sociedade. Lisboa, Vega, 2000.
  • BRAGANÇA, Ekeseni Celestino Do Sacramento Neto Sequeira, O Urbanismo e Arquitectura de Origem Portuguesa em São Tomé, Dissertação de Mestrado em Arquitectura, Porto, F.A.U.P., 2009.


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