Basílica de Nossa Senhora da Assunção (Torre de Moncorvo)


Nesta página: 

I . Torre de Moncorvo: as origens

II . História

III . Descrição

IV . O Tríptico de Santa Ana

V . Nossa Senhora da Assunção

 

I . ORIGENS DA REGIÃO DE TORRE DE MONCORVO

As origens de Torre de Moncorvo remontam ao fértil vale onde se situou a antiga Vila de Santa Cruz de Vilariça, numa região que integrava o vastíssimo território da Arquidiocese de Braga.

Por volta do século XI, grande parte dos moradores deslocaram-se para a região da actual Vila de Torre de Moncorvo, instalando-se junto à torre defensiva erguida, segundo a tradição, pelo fidalgo D. Mem Corvo, que estará na origem do topónimo – Torre de Mendo ou Mem Corvo.

A região pertenceu provavelmente, no século XII, a um dos vários domínios que a Ordem do Templo possuía no Nordeste transmontano.

A primeira matriz foi a igreja de São Tiago, referida em 1258, dependente da igreja de Santa Cruz de Vilariça e situada num dos caminhos portugueses de Santiago, que percorriam o Nordeste transmontano. D. Dinis concedeu foral à Vila de Torre de Moncorvo em 1285, sendo entretanto criada a feira, uma das mais importantes da região.

No século XIV, foi construída a igreja de Santa Maria, referida em 1362, durante o reinado de D. Pedro I. Seria um templo de pequena dimensão localizado nos arrabaldes da vila.

Em 1470, Gomes Borges, o instituidor do importante Morgado de Mendel, referia que os seus pais se encontravam sepultados na igreja de Santa Maria, deixando em testamento um grande número de alfaias a serem utilizadas nas festas da igreja. Também em 1491, os instituidores do Morgado de Santo António, Afonso Domingues e Felipa Vaz mandavam enterrar seus corpos “na igreja de Santa Maria da dita vila dentro na dita igreja” (1).

Em 1499, a igreja de Santa Maria era já paroquial, tendo como anexa a igreja de São Tiago.

Na região, desenvolveu-se a actividade mercantil e agrícola, nomeadamente a sericultura e a importante cultura do cânhamo associada à expansão marítima.

A vila floresceu durante os séculos XV, XVI e XVII, com ligações por toda a Europa, nomeadamente a Flandres. A grande prosperidade promoveu o crescimento de uma importante comunidade de mercadores e famílias nobres, que marcaram de modo particular a vila de Torre de Moncorvo.

Em 1517, seria instituída a Comenda de Santa Maria, pertencente à Ordem de Cristo, herdeira da antiga Ordem do Templo. Torre de Moncorvo continuou na jurisdição eclesiástica do Arcebispado de Braga, após a criação da Diocese de Miranda do Douro em 1545.


II . HISTÓRIA

Nos inícios do século XVI, foi decidido pelo Senado de Torre de Moncorvo, construir uma igreja maior, de acordo com o desenvolvimento e importância da vila, aquela que viria ser uma das mais imponentes igrejas de Trás-os-Montes. A primitiva igreja de Santa Maria foi demolida.

A nova igreja foi dedicada a Nossa Senhora da Assunção, desconhecendo-se o autor do risco. Em 1545, ainda inacabada, foi elevada a cabeça de comarca eclesiástica.

A construção do templo foi demorada. Em 1549, João de Barros († c. 1586), na sua passagem por Torre de Moncorvo referia que a vila tinha “hua igreja que há 40 annos se começou e não he acabada e sempre trabalhão nela, he de bobada” (2).

Também em 1609, Manuel Severim de Faria referia que “a igreja he de obra nova trabalhasse de presente nella, e acabada será obra insigne” (3).

A igreja estaria terminada na primeira metade do século XVII, com excepção do célebre zimbório da torre.

No princípio do século XVII, a prosperidade da vila justificou o pedido de se constituir em sede de Bispado – o que não veio a verificar-se.

Em meados do século XVIII, foi renovada a capela-mor com o grande retábulo e as pinturas a fresco, bem como os retábulos laterais da nave.

As memórias paroquiais redigidas em 1758 referem a existência da Colegiada de Nossa Senhora da Assunção, e de várias confrarias, como a Confraria das Almas e a Confraria de Santo António.

Na sequência do decreto de extinção das ordens religiosas em 1834, a igreja matriz recebeu parte do espólio do antigo Convento de São Francisco, nomeadamente os retábulos colocados numa das capelas laterais.

Em 1881, o vicariato de Moncorvo foi integrado na diocese de Bragança – Miranda.

A igreja foi classificada como Monumento Nacional em 1910, sendo incorporada no Património do Estado.

Em meados do século XX, foram realizadas obras de restauro pela Direcção Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais. Durante a década de 90 (século XX), foi realizada uma importante obra de levantamento do património artístico do templo. Também o Museu de Arte Sacra, inaugurado em 2013 reuniu algumas peças relevantes da igreja.

Em 2022, o Santo Padre Francisco (1936-2025) concedeu o título de Basílica Menor de Nossa Senhora da Assunção, à “bela e grande” igreja matriz de Torre de Moncorvo.



III . DESCRIÇÃO

A igreja, construída em granito, está implantada em pleno centro histórico da vila.

Tem um amplo adro lajeado, enquadrado por altos pináculos rematados por esferas, e bancos corridos em grande extensão, do seu lado interior.

As paredes laterais são suportadas por potentes contrafortes, que rematam com lanternins. Na cornija destacam-se as gárgulas em forma de carrancas e, sobre a torre, em forma de canhões.

Do lado Sul, encontra o pórtico alpendrado, terminado em 1567, segundo a inscrição gravada no granito. Dá acesso a uma escada interior, devido ao desnível entre o pavimento da igreja e o portal.

No nicho, encontra-se a imagem de Nossa Senhora da Conceição. Dois medalhões ladeiam o pórtico, com bustos em relevo – possivelmente dos arquitectos da obra.

O alpendre foi construído posteriormente, possivelmente para albergar peregrinos ou viajantes do Caminho de Santiago. Tem um singular telhado, em degraus imbricados, e abóbada em quarto de esfera.

O pórtico do lado Norte tem a data de 1566 no entablamento e uma moldura com baixo-relevo representando possivelmente o Papa Pio V, que iniciou o seu pontificado em 1566.

Vários cruzeiros encontram-se dispostos ao redor da igreja, talvez referentes a antigas estações da Via Sacra.

A monumental fachada principal destaca-se no conjunto. Está voltada a nascente, em sentido inverso ao habitual, provavelmente pela necessidade de se adequar a um lugar com forte inclinação e sujeita ao traçado urbano. Divide-se em dois corpos verticais sobrepostos, o superior correspondente à torre.

O pórtico está integrado numa estrutura retabular, piramidal. Na base, o portal está ladeado pelas imagens de Santa Apolónia e Santa Bárbara, invocações correntes na época, esculturas de 1677.

A imagem de Nossa Senhora da Assunção, padroeira da igreja, preside sobre o portal, ladeada por São Pedro e São Paulo, imagens em granito, anteriormente policromadas.

No registo superior, o janelão central está ladeado por dois óculos emoldurados.

A alta e imponente histórica torre sineira domina a igreja, materializando de modo singular o nome da vila.

A torre teve um notável zimbório coberto de azulejo, coroado, segundo a tradição por um corvo mecânico de ferro dourado, pelo menos até ao início do século XVIII. Foi destruído por um raio e, em sua substituição, coberta a torre pelo actual terraço. Tem nove sineiras e um relógio, anteriormente ligado ao mecanismo do corvo de ferro.

Uma balaustrada em pedra contorna a torre, com os cantos encimados por esferas de granito e cataventos de ferro. No parapeito destaca-se uma antiga invocação (1711), alusiva à destruição do zimbório:

CHRISTUS REX VENIT IN PACE. ET DEUS HOMO FACTUS EST. ET VERBUM CARO FACTUM EST, DE VIRGINE NATUS EST. CHRISTUS PER MÉDIUM ILORUM IBAT. IN PACE CHRISTUS CRUSIFIXUS EST. CHRISTUS MORTUUS EST. CHRISTUS SEPULTUS EST. CHRISTUS RESURREXIT. CHRISTUS ASCENDIT. CHRISTUS IMPERAT. CHRISTUS REGNAT. CHRISTUS AB OMNI FULGORE NOS DEFENDAT. VERBUM CARO FACTUM EST. CHRISTUS. NOBISCUM EST. AMEN. PADRE NOSSO AVÉ MARIA 1711

(Cristo veio em paz. E Deus se fez homem. E o Verbo se fez carne, nasceu da Virgem. Cristo passou pelo meio deles. Em paz Cristo foi crucificado. Cristo morreu. Cristo foi sepultado. Cristo ressuscitou. Cristo subiu aos céus. Cristo impera. Cristo reina. Que Cristo nos defenda de todo os raios. O Verbo se fez carne. Cristo está connosco. Ámen. Pai-Nosso Avé Maria 1711)

No átrio de entrada, destaca-se do lado esquerdo uma inscrição referente à capela da Açoreira, uma das ermidas da região circundante ligada à igreja matriz.

CAPELA D ASOREIRA COM OBRIGAÇÃO DE 30 MISSAS NESTA IGREJA QUE HE DA CASA DE SUA MAGESTADE DE QUE HE ADMINISTRADOR FR ROZ (Francisco Rodrigues) DE MEIRELES DESTA VILA E SE REFORMOU O TOMBO DELA POR MÃODADO DO DITO SENHOR A 30 DE MAIO DE 1622

O interior impõe-se pela monumentalidade e luminosidade.

O nartex tem abóbada em granito, dividida em caixotões.

À direita encontra-se o baptistério, onde se destaca: a pia baptismal também em granito, um Calvário; o armário dos Santos Óleos em talha dourada encimado pela Cruz de Cristo – referência à Ordem de Cristo à qual pertencia a Comenda de Santa Maria, promotora da igreja; e, na parte superior, uma notável escultura da Santíssima Trindade.

As três naves, à mesma altura, são separadas por grandes colunas de base cilíndrica.

A imponente abóbada de nervuras tem medalhões nos fechos com variados motivos: o monograma IHS, a Virgem com o Menino, as Cinco Chagas, Cruz da Ordem de Cristo...

Os altares laterais têm admiráveis retábulos de meados do século XVIII.

Do lado direito encontra-se o altar das Almas, com retábulo representando São Miguel resgatando as almas do purgatório; e o altar da Senhora da Assunção, com a imagem da padroeira, ladeada por Santo António e São Bernardino, que permaneceram da antiga invocação como altar de Santo António. Completa o altar a imagem de Cristo morto na base.

Do lado esquerdo encontra-se o altar de São Pedro e São Paulo, também chamado do Santo Cristo, pela colocação de um grande crucifixo proveniente da antiga igreja de São Tiago; e o altar da Sagrada Família, com imagens laterais de São Francisco e São Domingos, alusivos à anterior invocação - de Nossa Senhora do Rosário.

Na nave, destacam-se igualmente os pórticos laterais, particularmente o que dá acesso ao alpendre do lado Sul.

A admirável capela-mor tem abóbada em granito, dividida em caixotões com simbologia mariana e da Paixão de Cristo. Ao centro, destaca-se uma singular roda de leme, em relevo.

O retábulo-mor de Jacinto da Silva (c. 1710-1780) é considerado uma das mais grandiosas composições em talha do Norte do país.

Na base, de forma singular, encontram-se as representações dos símbolos dos evangelistas – Leão, Touro, Águia e Anjo. Ao centro, encontra-se a tribuna, integrando um magnífico trono eucarístico. Entre as colunas laterais espiraladas, encontram-se imagens de Nossa Senhora da Conceição, do lado esquerdo e Nossa Senhora com o Menino, do lado direito.

No ático, preside a Santíssima Trindade – Deus Pai sustentando Cristo Crucificado e o Espírito Santo. Na base tem as figuras alegóricas das Virtudes Teologais (Fé, Esperança e Caridade) com os respectivos atributos – Custódia, Âncora e Coração.

Nas paredes laterais, destacam-se dois grandes frescos em admirável enquadramento arquitectónico, autoria de Francisco Berardo Alves (1779): A Última ceia, com cartela Ó SACRUM CONVIVIUM, IN QUO CH(R)ISTUS SUMITUR: RECOLITUR MEMORIA PASSIONIS EJUS (Ó sagrado banquete, no qual Cristo é recebido e se celebra a memória da sua Paixão – Cântico das Segundas Vésperas da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo) e ladeado por cartela com São João Evangelista; do lado direito, representação possivelmente alusiva à Virgem Maria, com cartela QUAE EST ISTA, QUAE PROCESSIT SICUT SOL, ET FORMOSA TAMQUAM JERUSALEM (Quem é esta que avança como o sol, e formosa como Jerusalém – Cântico da Solenidade de Nossa Senhora da Assunção) e ladeada por cartela representando São Mateus.

Destaca-se ainda neste espaço o antigo cadeiral da colegiada de Santa Maria.

A capela-mor está ladeada por dois absidíolos.

A capela das Chagas, à direita, integra três altares em talha provenientes do antigo convento de São Francisco. O altar central representa o Sagrado Coração de Jesus e Santa Margarida Maria Alacoque. Está ladeado pelos altares do Imaculado Coração de Maria e do Senhor dos Aflitos, cada um deles integrando um sacrário.

A capela do Santíssimo Sacramento, do lado esquerdo, tem um notável retábulo, dos princípios do século XVII, com um conjunto de esculturas e baixos-relevos alusivos à Paixão e Ressurreição de Cristo.

Na predela, tem representadas cenas da Paixão de Cristo: Jesus no Horto confortado pelo Anjo, A Traição de Judas, Jesus perante Pilatos, A Coroação de espinhos, Jesus escarnecido pelos guardas e A Flagelação.

No registo seguinte, destaca-se o admirável sacrário, ladeado pelos quatro doutores da Igreja - Santo Agostinho, São Gregório Magno, Santo Ambrósio e São Jerónimo – intercalados com baixos-relevos representando A Transfiguração e a Entrega das Chaves a Pedro.

No registo superior, estão representadas a Ressurreição de Cristo ao centro e, lateralmente, a Incredulidade de São Tomé e o Aparecimento de Cristo a Maria Madalena; entre as colunas encontram-se os quatro evangelistas.

No ático, preside a Ascensão de Jesus ao Céu.

A capela é protegida por uma admirável grade em ferro forjado com legenda LOUVADO SEJA O SANTÍSSIMO SACRAMENTO. Está datada de 1631, segundo a inscrição no soco da abside: ESTAS GRADES MANDOV FAZER A SUA CVSTA; (…) DE GOVVEA VASCONCELOS.AN.1631.

Encontra-se nesta capela o notável tríptico de Santa Ana (vd descrição adiante)

A sacristia, no topo da nave lateral direita, tem à entrada inscrição referente ao tombo das antigas sepulturas A IFIADA DO TOMBO DAS SEPULTURAS DESTA IGREJA – possivelmente do século XVI ou XVII.

No interior, destaca-se a abóbada polinervada, do século XVI, com a Cruz da Ordem de Cristo no fecho – alusivo também à antiga Comenda de Santa Maria.

Na parede fundeira encontra-se o admirável retábulo, proveniente do corpo da igreja – antigo altar de Santo António -; tem ao centro uma pintura representando Nossa Senhora do Rosário ladeada por dois grupos de patronos – proveniente do antigo altar da Senhora do Rosário; na base, destaca-se uma faixa de grotescos em talha. Está assente sobre um arcaz que ocupa toda a largura da parede.

O lavabo é provavelmente também do século XVII, com duas carrancas e encimado por medalhão com inscrição: DA DOMINE VIRTVTEM MANIBVS MEIS AD ABSTERGENDVM OMNEM MACVLAM VT SINE POLLUTIONE MENTIS ET CORPORIS VALEAM TIBI SERVIRE (Dai, Senhor, força às minhas mãos para limpar toda a mancha, para que, sem impureza de mente e de corpo, eu possa servir-Vos).

Destaca-se ainda o armário de alfaias litúrgicas com inscrição MVNDAMINI QVI FERTIS VASA DOMINI (Purificai-vos, vós que levais os vasos do Senhor, Is 52, 11).

Encontra-se ainda neste espaço uma memória de D. Frei Miguel da Madre de Deus, (1739-1827), natural de Torre de Moncorvo, arcebispo de Braga - diocese à qual pertencia Torre de Moncorvo.

No coro-alto encontra-se o órgão histórico, da autoria do mestre organeiro José António de Sousa (1744-1787), segundo inscrição no interior: Para honra e glória de Deus Nº. Sº. e de sua May Santíssima, mandou fazer esta obra o Ilustre senado desta Villa da Torre de Moncorvo, por mim José António de Souza, da cidª. de Braga. Anno de 1778. Foi restaurado e solenemente inaugurado em 2016.



IV . O Tríptico de Santa Ana

Na capela do Santíssimo Sacramento encontra-se o notável Tríptico de Santa Ana. Foi realizado entre 1500 e 1520, nas oficinas da Flandres, sendo anterior à construção da nova matriz. Chegou a Torre de Moncorvo provavelmente por intermédio da Feitoria Portuguesa de Antuérpia.

É um retábulo esculpido em madeira de carvalho da Flandres, policromada, com caixa e volantes laterais. Representa cenas da Vida de Santa Ana, com figuras em baixo relevo: do lado esquerdo O Casamento de Santa Ana e São Joaquim; do lado direito, O Encontro de São Joaquim e Santa Ana na Porta Dourada; ao centro, Santa Ana e a Santa Parentela. A representação baseia-se no Proto-Evangelho de Tiago (evangelho apócrifo).

Na parte posterior tem as marcas de garantia da corporação dos artesãos da Antuérpia.

Restaurado em 1973 no Instituto José de Figueiredo, este notável tríptico foi referido no catálogo da exposição O Brilho do Norte: Escultura e Escultores do Norte da Europa em Portugal – Época Manuelina, realizada em 1997 no Palácio Nacional da Ajuda.


V . Nossa Senhora da Assunção

A celebração litúrgica de Nossa Senhora da Assunção é muito antiga na história da Igreja. A sua Festa – também chamada da Dormição da Virgem - foi fixada em 15 de Agosto pelo imperador bizantino Flávio Maurício (582-602) e estendida a todo o Império. O Papa Sérgio I (687-701) impulsionou a sua difusão no Ocidente.

Em Portugal, a Solenidade da Assunção é uma das festas mais antigas do calendário litúrgico, invocada como Santa Maria ou Santa Maria de Agosto. Todas as catedrais medievais portuguesas foram-lhe dedicadas.

Adquiriu particular relevo após 1385, com a vitória portuguesa na Batalha de Aljubarrota, na véspera desta solenidade.

No Nordeste Transmontano são inumeráveis as igrejas, capelas e altares dedicados à Assunção da Virgem desde tempos antigos.

Em Torre de Moncorvo, a igreja de Santa Maria construída no século XIII, seria, como era habitual, também dedicada à Assunção de Nossa Senhora, com festa celebrada em Agosto.

A nova igreja, construída no século XVI, herdaria a mesma invocação, nomeada expressamente Nossa Senhora da Assunção, como foi prática comum após a Batalha de Aljubarrota.

Segundo o Santuário Mariano, uma imagem de Nossa Senhora da Assunção, invocada também como Senhora da Vela, estaria colocada no nicho do alpendre Sul. Daí teria sido deslocada para o altar-mor, por ser “mais decente à veneração que se devia àquella Santa Imagem, pela sua grande fermosura, daremlhe outro lugar mais nobre” (4). É possivelmente a imagem que actualmente se encontra do lado direito no retábulo-mor, de acordo com a descrição: “He a Senhora da Vela de grande fermosura, & magestade, tem em seus braços ao Menino Jesus” (4).

Anteriormente, na igreja, existia uma tela amovível, tradicionalmente colocada na tribuna do retábulo-mor, representando Nossa Senhora da Assunção, igualmente na capela-mor, um dos frescos laterais é provavelmente alusivo à Assunção da Virgem Maria.

 

  1. ABREU, Carlos de, As igrejas da Vila de Torre de Moncorvo com estatuto de matriz (séculos XIII-XVIII), separata de Douro - Estudos e documentos, GEHVID - Grupo de Estudos de História da Viticultura Duriense e do Vinho do Porto, 1999, p. 84.
  2. Idem, p. 87.
  3. Idem, p. 91.
  4. SANTA MARIA, Fr. Agostinho, Santuário Mariano, e Historia das Imagens milagrosas (…), Volume 4, Lisboa, António Pedrozo Galram, 1712, pp 130-134.

 

REFERÊNCIAS

  1. RODRIGUES, Adriano Vasco, O Retábulo Flamengo da Parentela de Santa Ana na Igreja Matriz de Torre de Moncorvo, Porto, 1990.
  2. ABREU, Carlos de, As igrejas da vila de Torre de Moncorvo com estatuto de matriz (séculos XIII-XVIII), Douro - Estudos e documentos, GEHVID - Grupo de Estudos de História da Viticultura Duriense e do Vinho do Porto, 1999.
  3. RODRIGUES, Luís Alexandre, O Programa Arquitectónico da matriz de Moncorvo e a demorada afirmação da Arte barroca no Distrito de Bragança, Centro de Estudos da População Economia e Sociedade, 2005.
  4. CAVALHEIRO, Eugénio, REBANDA, Nelson, A Igreja Matriz de Torre de Moncorvo, 2ª edição, Município de Torre de Moncorvo, 2020.
  5. AZEVEDO, Carlos, Santa Maria: Teologia, Arte e Culto em Portugal. Contributo do Santuário Mariano, Lisboa, Imprimatur, Bens Culturais da Igreja, 2021.

 

FOTOGRAFIA

Conceição Bernardo


Explore Também


Adicionar comentário

Comentários

Ainda não há comentários.

Crie seu próprio site com Webador